Pernas pra que te quero
Como os escaladores superaram as dificuldades no The Nose ao longo do tempo
Por Eliseu Frechou, de El Capitan
Matéria publicada na edição 193 (Maio/2008) de Terra
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Com 1.100 metros de percurso, The Nose ("O Nariz"), a trilha que corta a impressionante muralha do El Capitan bem ao meio, só foi conquistada em 1958, numa expedição que durou 47 dias. Dos oito que iniciaram a empreitada, apenas Warren Harding, Wayne Merry e George Whitmore chegaram ao topo. A primeira grande dificuldade surgiu quando os escaladores estavam para completar um terço do caminho: as fendas na parede eram largas demais para os equipamentos de proteção disponíveis na época. A solução foi encaixar a marretadas peças improvisadas nessas rachaduras maiores - e as pernas de um fogão serviram como uma luva.
Para puxar os equipamentos, alimentos e água para cima, usaram sacos de lona dos correios americanos. Como na época também não havia roupas eficientes para proteger da chuva, a escalada foi dividida em seis etapas, cada uma delas terminando em um platô onde fosse possível montar uma pequena tenda. À medida que a equipe avançava, cordas náuticas eram estendidas entre os platôs, permitindo que os montanhistas descessem da montanha em caso de emergência - ou abandono. Meio século depois, os equipamentos e os escaladores evoluíram a ponto de estabelecer outros parâmetros para a escalada no The Nose. Em 1975, John Long, Jim Bridwell e Billy Westbay fizeram a primeira ascensão de apenas um dia na rota.
Em 1993, a americana Lynn Hill foi a primeira pessoa a escalar a via sem uso de pontos de apoio artificiais. Em 2007, os irmãos Alex e Thomas Huber bateram o recorde de escalada, chegando ao topo em menos de três horas. Atualmente existem mais de 70 rotas nas faces sudeste e sudoeste do El Capitan. Já há muito que The Nose não é a rota mais difícil ou perigosa. Mas é certo que a via ainda hoje está no imaginário dos paredonistas que um dia desejam conhecer Yosemite.
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SUBINDO PELAS PAREDES
DORMINDO NA VERTICAL
CARTA DE NAVEGAÇÃO
Para puxar os equipamentos, alimentos e água para cima, usaram sacos de lona dos correios americanos. Como na época também não havia roupas eficientes para proteger da chuva, a escalada foi dividida em seis etapas, cada uma delas terminando em um platô onde fosse possível montar uma pequena tenda. À medida que a equipe avançava, cordas náuticas eram estendidas entre os platôs, permitindo que os montanhistas descessem da montanha em caso de emergência - ou abandono. Meio século depois, os equipamentos e os escaladores evoluíram a ponto de estabelecer outros parâmetros para a escalada no The Nose. Em 1975, John Long, Jim Bridwell e Billy Westbay fizeram a primeira ascensão de apenas um dia na rota.
Em 1993, a americana Lynn Hill foi a primeira pessoa a escalar a via sem uso de pontos de apoio artificiais. Em 2007, os irmãos Alex e Thomas Huber bateram o recorde de escalada, chegando ao topo em menos de três horas. Atualmente existem mais de 70 rotas nas faces sudeste e sudoeste do El Capitan. Já há muito que The Nose não é a rota mais difícil ou perigosa. Mas é certo que a via ainda hoje está no imaginário dos paredonistas que um dia desejam conhecer Yosemite.
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