A força de um cânion
Em meio a plantações de grãos a perder de vista, o Parque Estadual do Guartelá, no Paraná, se transformou num refúgio da vida selvagem. Para a sorte dos aventureiros
Thiago Medaglia, de Tibagi
Matéria publicada na edição 185 (Setembro/2007) de Terra
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Do curral à sede da fazenda, ninguém sabe dizer como a briga começou. Por isso mesmo, imperam os rumores. Há quem diga que o papagaio Quico apenas tentou se entrosar. Outros comentam que, no galinheiro, há tempos se buscava por uma oportunidade de dar uma lição na ave mimada. De certo mesmo, só a surra que Quico levou de uma galinha. "Quando ouvi os gritos, saí correndo para o quintal e o vi estatelado no chão, sendo bicado", relata dona Josi, uma das proprietárias da Fazenda Puxa-Nervos, a casa de Quico, localizada nas proximidades do Parque Estadual do Guartelá, no interior do Paraná.
Dona Josi é a responsável pelos cuidados oferecidos ao papagaio, que, entre outras regalias, passa o dia em sua árvore exclusiva, dorme dentro de casa e recebe frutas frescas picadas regularmente. Depois da confusão, Quico não deu mais bandeira fora de seu galho. Animal silvestre tratado como bicho de estimação, ele acabou acuado no meio de tanta galinha. De certa forma, o papagaio vive a mesma situação da natureza na região do Guartelá. Por todos os lados, o que se vê são grandes campos com plantações de grãos, em meio aos quais a vegetação original aparece cercada. Não são muitos os espaços não tocados pela mão do homem nestas bandas.
Em todas as propriedades desta zona paranaense, a tônica é a mesma: avistam-se por horas a fio paisagens estáticas desenhadas pela falta de graça das monoculturas - sobretudo de soja, milho e trigo. Este é um dos principais pólos produtores de grãos do Brasil e também um dos mais antigos. Desde os anos 50, colonos europeus constataram a riqueza do solo. O resultado é lavoura a perder de vista, com hectares de culturas aveia margeando até mesmo a estrada de terra que dá acesso à portaria do Parque do Guartelá.
Os quase 8 quilômetros quadrados de área da reserva protegem as sobras dos campos gerais, vegetação detentora de uma das mais ricas biodiversidades do mundo - trata-se de uma área de encontro entre os vários ecossistemas do sul do Brasil. Mesmo hoje, nos pontos sobreviventes, é possível encontrar espécies de plantas e animais de vários ambientes: samambaias da Mata Atlântica, imbuias do banhado, cactos da caatinga, araucárias, perobas, ipês-amarelos e várias outras. No passado, os campos cobriam 2 milhões de hectares desde Santa Catarina até o sul do estado de São Paulo.
Hoje, no Paraná, o que sobrou dos campos gerais não passa de meio por cento da área original. Estudos indicam que o arado pôs fim a cerca de 50 espécies de orquídeas do campo. Onças- pintadas, lobos-guará, veados e outros tantos bichos que vagavam livres por estas paragens já não são mais encontrados. Cachorros-do-mato, tamanduás, tucanos e falcões, acuados por pastos, bois e plantações se refugiaram nos capões de mata ao longo dos rios Tibagi e Iapó.
A geografia íngreme e repleta de cânions fez destes vales pedaços inacessíveis e sem função para os agricultores. Daí a imagem de um oásis de natureza encravado em milhares de hectares de plantações. Dentre todos os cânions da região, se destaca o do Rio Iapó, um dos mais extensos da América do Sul, com 32 quilômetros de comprimento. Grande parte dele está protegida no interior do Parque Estadual do Guartelá e de outras reservas particulares. "Nossa intenção é garantir o equilíbrio entre a produção agrícola e a preservação do meio ambiente", diz Ivo Arnt Filho, dono de fazendas e empresário do setor turístico na região. Ao lado da acolhedora cidade de Tibagi e de sua gente simpática, o cânion do Rio Iapó é o grande trunfo para atrair turistas.
Em termos geográficos, cânions são vales com escarpas rochosas lapidadas pela ação da água ao longo de milhões de anos. O exemplo mais conhecido é o Grand Canyon, desfiladeiro que emoldura o Rio Colorado, no estado americano do Arizona. Suas paredes superam os mil metros de altura, enquanto as do Rio Iapó mal ultrapassam os 300 metros. A paisagem também não guarda semelhança alguma. Os paredões avermelhados e com características desérticas do Grand Canyon são mais verticais e menos verdejantes em comparação ao reduto brasileiro, no qual a descida dos morros em direção à torrente é nitidamente mais suave.
Mas nada disso diminui o encanto e a importância do cânion paranaense. "Ele é testemunho do passado remoto do planeta", observa o geólogo Gil Piekarz, da empresa responsável pelo estudo do solo local. "No fundo do rio, há rochas vulcânicas de 500 milhões de anos". Além disso, a paisagem vista do alto do Vale do Iapó é magnífica. Sobretudo nas primeiras horas do dia, quando a bruma intensa descortina, aos poucos, os campos e as cachoeiras. Surgem araucárias milenares, diversas formações rochosas e duas cadeias montanhosas divididas pelo leito do rio.
O amanhecer não exibe apenas a visão geral do lugar, mas também revela detalhes. Um olhar minucioso nas rochas expõe as pinturas rupestres deixadas pelos antigos habitantes destas terras. São desenhos com estranhas figuras geométricas, semelhantes a peixes, cervos e outros animais. Não é certa a relação entre esses moradores dos primeiros tempos e os índios caingangues, etnia do sul do Brasil catequizada por jesuítas no começo do século 17. Lendas dão conta de ataques dos guerreiros dessa tribo aos fazendeiros locais.
Das estratégias de defesa do homem branco e do sotaque sulista teria surgido o nome do parque estadual. "Quando um ataque era iminente, os fazendeiros se comunicavam e diziam: 'Guarda-te lá que eu me guardo aqui'", conta o guia turístico Alexandre Betim, morador de Tibagi. Mas não passa de suspeita, ainda mais porque há uma versão tupi-guarani para a origem do nome. Na língua indígena, Guartelá significaria "vale profundo".
Conhecidos por batizar os lugares a partir de suas características geográficas, os tupis deram ao maior rio local o nome de Tibagi, que em seu idioma significa "muitas cachoeiras". E são tantas as quedas d'água no Tibagi que ele virou palco dos treinos da seleção brasileira de canoagem. "É perfeito para desenvolver a técnica dos atletas", diz o francês Alain Jourdant, treinador da equipe nacional. Quem não se arrisca a nadar são os moradores da cidade. O motivo é simples: quase todos já perderam parentes afogados nessas águas temperamentais.
Terror dos banhistas, o Tibagi é perfeito para o rafting. Há vários níveis de corredeiras, dispostas em forma crescente, ou seja, a potência das quedas vai aumentando conforme o trajeto segue. As inesperadas chuvas do inverno deste ano aumentaram a força das quedas durante nossa repor tagem e nos obrigaram a encarar um preocupante nível 4, com uma onda forte pela frente. O turbilhão d'água só não foi pior do que a gelada temperatura da mesma.
Ao menos dessa vez não topamos com encrenca maior: o Rio Iapó. "É um dos mais radicais da América do Sul", atesta Eric dos Santos, instrutor local. Ainda sem operação turística - dada a dificuldade de acesso - o Iapó desce violento numa seqüência ininterrupta de quedas níveis 4, 5 e 6. Dizem que a adrenalina é eletrizante e o visual de dentro do cânion, espetacular. "Mas em certos momentos parece um pesadelo", avisa Eric, uma das poucas pessoas que já tiveram coragem de enfrentar o furioso Iapó.
A mesmo geografia rochosa e vertical responsável pela preservação da natureza no vale do Tibagi proporciona inúmeras opções de aventura - mais irônico, entretanto, é saber da intenção do governo federal em construir hidrelétricas no Tibagi (leia quadro nas páginas seguintes). No estado que abriga as gigantescas Cataratas do Iguaçu, não por acaso, corredeiras proliferam ao longo dos dois grandes planaltos que compõem o interior do Paraná. Nos arredores do Guartelá não é diferente. Na Fazenda Puxa-Nervos, por exemplo, as peripécias do papagaio Quico não são a única atração. Uma cachoeira com 50 metros de altura desafia os praticantes do cascading, o rapel de cachoeira.
A trilha para chegar ao topo é íngreme e fechada pela mata - daí o nome puxa-nervos. "Era um caminho de pacas", conta Alesson Fernando, o Coelho, filho de dona Josi e instrutor de rapel. "Foi meu cachorro que descobriu. Não precisei derrubar uma árvore para abrir passagem", revela Coelho. Por sorte, a trilha é curta. Dura o tempo exato de sentir os nervos esticados em seus limites. Lá de cima, a dor na batata da perna é esquecida e rapidamente substituída pela usual tensão pré-rapel.
São dezenas de metros a serem vencidos verticalmente, sob água caindo com pressão e dois pontos de inclinação negativa nos quais os pés perdem o apoio por instantes. No entanto, tudo isso é nada perto da sensação de estar no meio de uma grande cachoeira, numa perspectiva diferente daquela comum ao nadar no poço abaixo da queda. Para melhorar, o Salto Puxa-Nervos é rodeado por uma grande área de mata nativa.
A integração dá lugar ao êxtase quando os pés tocam as rochas no solo, já na posição horizontal, ao final do rapel. O encanto prossegue no retorno pela trilha que leva até a sede da fazenda. Já no meio do caminho, contudo, o retorno à realidade: surgem os pastos, as vacas e as ovelhas. No alto de um morro, uma fileira de pínus, um bonito pinheiro canadense introduzido no sul do Brasil nos anos 1960. Muito usada pela indústria de celulose, a árvore se alastra e causa danos às espécies nativas. Uma beleza estrangeira, assim como o papagaio Quico, que foi trazido da Amazônia ainda filhote, após ter tido os pais mortos por contrabandistas de animais. Mas este não faz mal a ninguém. No máximo, arrisca palavras, se esconde quando passa no céu um falcão ou se agita ao ver papagaios selvagens. Tanto quanto os animais que se espremem no que restou dos campos de outrora, não merecia estar acuado entre as galinhas.
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Dona Josi é a responsável pelos cuidados oferecidos ao papagaio, que, entre outras regalias, passa o dia em sua árvore exclusiva, dorme dentro de casa e recebe frutas frescas picadas regularmente. Depois da confusão, Quico não deu mais bandeira fora de seu galho. Animal silvestre tratado como bicho de estimação, ele acabou acuado no meio de tanta galinha. De certa forma, o papagaio vive a mesma situação da natureza na região do Guartelá. Por todos os lados, o que se vê são grandes campos com plantações de grãos, em meio aos quais a vegetação original aparece cercada. Não são muitos os espaços não tocados pela mão do homem nestas bandas.
Em todas as propriedades desta zona paranaense, a tônica é a mesma: avistam-se por horas a fio paisagens estáticas desenhadas pela falta de graça das monoculturas - sobretudo de soja, milho e trigo. Este é um dos principais pólos produtores de grãos do Brasil e também um dos mais antigos. Desde os anos 50, colonos europeus constataram a riqueza do solo. O resultado é lavoura a perder de vista, com hectares de culturas aveia margeando até mesmo a estrada de terra que dá acesso à portaria do Parque do Guartelá.
BICHOS ACUADOS
Os quase 8 quilômetros quadrados de área da reserva protegem as sobras dos campos gerais, vegetação detentora de uma das mais ricas biodiversidades do mundo - trata-se de uma área de encontro entre os vários ecossistemas do sul do Brasil. Mesmo hoje, nos pontos sobreviventes, é possível encontrar espécies de plantas e animais de vários ambientes: samambaias da Mata Atlântica, imbuias do banhado, cactos da caatinga, araucárias, perobas, ipês-amarelos e várias outras. No passado, os campos cobriam 2 milhões de hectares desde Santa Catarina até o sul do estado de São Paulo.
Hoje, no Paraná, o que sobrou dos campos gerais não passa de meio por cento da área original. Estudos indicam que o arado pôs fim a cerca de 50 espécies de orquídeas do campo. Onças- pintadas, lobos-guará, veados e outros tantos bichos que vagavam livres por estas paragens já não são mais encontrados. Cachorros-do-mato, tamanduás, tucanos e falcões, acuados por pastos, bois e plantações se refugiaram nos capões de mata ao longo dos rios Tibagi e Iapó.
A geografia íngreme e repleta de cânions fez destes vales pedaços inacessíveis e sem função para os agricultores. Daí a imagem de um oásis de natureza encravado em milhares de hectares de plantações. Dentre todos os cânions da região, se destaca o do Rio Iapó, um dos mais extensos da América do Sul, com 32 quilômetros de comprimento. Grande parte dele está protegida no interior do Parque Estadual do Guartelá e de outras reservas particulares. "Nossa intenção é garantir o equilíbrio entre a produção agrícola e a preservação do meio ambiente", diz Ivo Arnt Filho, dono de fazendas e empresário do setor turístico na região. Ao lado da acolhedora cidade de Tibagi e de sua gente simpática, o cânion do Rio Iapó é o grande trunfo para atrair turistas.
Em termos geográficos, cânions são vales com escarpas rochosas lapidadas pela ação da água ao longo de milhões de anos. O exemplo mais conhecido é o Grand Canyon, desfiladeiro que emoldura o Rio Colorado, no estado americano do Arizona. Suas paredes superam os mil metros de altura, enquanto as do Rio Iapó mal ultrapassam os 300 metros. A paisagem também não guarda semelhança alguma. Os paredões avermelhados e com características desérticas do Grand Canyon são mais verticais e menos verdejantes em comparação ao reduto brasileiro, no qual a descida dos morros em direção à torrente é nitidamente mais suave.
Mas nada disso diminui o encanto e a importância do cânion paranaense. "Ele é testemunho do passado remoto do planeta", observa o geólogo Gil Piekarz, da empresa responsável pelo estudo do solo local. "No fundo do rio, há rochas vulcânicas de 500 milhões de anos". Além disso, a paisagem vista do alto do Vale do Iapó é magnífica. Sobretudo nas primeiras horas do dia, quando a bruma intensa descortina, aos poucos, os campos e as cachoeiras. Surgem araucárias milenares, diversas formações rochosas e duas cadeias montanhosas divididas pelo leito do rio.
O amanhecer não exibe apenas a visão geral do lugar, mas também revela detalhes. Um olhar minucioso nas rochas expõe as pinturas rupestres deixadas pelos antigos habitantes destas terras. São desenhos com estranhas figuras geométricas, semelhantes a peixes, cervos e outros animais. Não é certa a relação entre esses moradores dos primeiros tempos e os índios caingangues, etnia do sul do Brasil catequizada por jesuítas no começo do século 17. Lendas dão conta de ataques dos guerreiros dessa tribo aos fazendeiros locais.
GUARDA-TE LÁ
Das estratégias de defesa do homem branco e do sotaque sulista teria surgido o nome do parque estadual. "Quando um ataque era iminente, os fazendeiros se comunicavam e diziam: 'Guarda-te lá que eu me guardo aqui'", conta o guia turístico Alexandre Betim, morador de Tibagi. Mas não passa de suspeita, ainda mais porque há uma versão tupi-guarani para a origem do nome. Na língua indígena, Guartelá significaria "vale profundo".
Conhecidos por batizar os lugares a partir de suas características geográficas, os tupis deram ao maior rio local o nome de Tibagi, que em seu idioma significa "muitas cachoeiras". E são tantas as quedas d'água no Tibagi que ele virou palco dos treinos da seleção brasileira de canoagem. "É perfeito para desenvolver a técnica dos atletas", diz o francês Alain Jourdant, treinador da equipe nacional. Quem não se arrisca a nadar são os moradores da cidade. O motivo é simples: quase todos já perderam parentes afogados nessas águas temperamentais.
Terror dos banhistas, o Tibagi é perfeito para o rafting. Há vários níveis de corredeiras, dispostas em forma crescente, ou seja, a potência das quedas vai aumentando conforme o trajeto segue. As inesperadas chuvas do inverno deste ano aumentaram a força das quedas durante nossa repor tagem e nos obrigaram a encarar um preocupante nível 4, com uma onda forte pela frente. O turbilhão d'água só não foi pior do que a gelada temperatura da mesma.
Ao menos dessa vez não topamos com encrenca maior: o Rio Iapó. "É um dos mais radicais da América do Sul", atesta Eric dos Santos, instrutor local. Ainda sem operação turística - dada a dificuldade de acesso - o Iapó desce violento numa seqüência ininterrupta de quedas níveis 4, 5 e 6. Dizem que a adrenalina é eletrizante e o visual de dentro do cânion, espetacular. "Mas em certos momentos parece um pesadelo", avisa Eric, uma das poucas pessoas que já tiveram coragem de enfrentar o furioso Iapó.
A mesmo geografia rochosa e vertical responsável pela preservação da natureza no vale do Tibagi proporciona inúmeras opções de aventura - mais irônico, entretanto, é saber da intenção do governo federal em construir hidrelétricas no Tibagi (leia quadro nas páginas seguintes). No estado que abriga as gigantescas Cataratas do Iguaçu, não por acaso, corredeiras proliferam ao longo dos dois grandes planaltos que compõem o interior do Paraná. Nos arredores do Guartelá não é diferente. Na Fazenda Puxa-Nervos, por exemplo, as peripécias do papagaio Quico não são a única atração. Uma cachoeira com 50 metros de altura desafia os praticantes do cascading, o rapel de cachoeira.
A trilha para chegar ao topo é íngreme e fechada pela mata - daí o nome puxa-nervos. "Era um caminho de pacas", conta Alesson Fernando, o Coelho, filho de dona Josi e instrutor de rapel. "Foi meu cachorro que descobriu. Não precisei derrubar uma árvore para abrir passagem", revela Coelho. Por sorte, a trilha é curta. Dura o tempo exato de sentir os nervos esticados em seus limites. Lá de cima, a dor na batata da perna é esquecida e rapidamente substituída pela usual tensão pré-rapel.
São dezenas de metros a serem vencidos verticalmente, sob água caindo com pressão e dois pontos de inclinação negativa nos quais os pés perdem o apoio por instantes. No entanto, tudo isso é nada perto da sensação de estar no meio de uma grande cachoeira, numa perspectiva diferente daquela comum ao nadar no poço abaixo da queda. Para melhorar, o Salto Puxa-Nervos é rodeado por uma grande área de mata nativa.
A integração dá lugar ao êxtase quando os pés tocam as rochas no solo, já na posição horizontal, ao final do rapel. O encanto prossegue no retorno pela trilha que leva até a sede da fazenda. Já no meio do caminho, contudo, o retorno à realidade: surgem os pastos, as vacas e as ovelhas. No alto de um morro, uma fileira de pínus, um bonito pinheiro canadense introduzido no sul do Brasil nos anos 1960. Muito usada pela indústria de celulose, a árvore se alastra e causa danos às espécies nativas. Uma beleza estrangeira, assim como o papagaio Quico, que foi trazido da Amazônia ainda filhote, após ter tido os pais mortos por contrabandistas de animais. Mas este não faz mal a ninguém. No máximo, arrisca palavras, se esconde quando passa no céu um falcão ou se agita ao ver papagaios selvagens. Tanto quanto os animais que se espremem no que restou dos campos de outrora, não merecia estar acuado entre as galinhas.
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PARA SABER MAIS: Guia de Turismo do Paraná, Empresa das Artes; www.mineropar.pr.gov.br; www.canyonsworldwide.com; www.ligaambiental.org.br.
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