Assine Terra
Terra > Agosto/2007 > Roraima

Três momentos da influência nordestina

Mais do que em outros lugares da região Norte, Roraima ostenta em sua cultura fortes traços da presença nordestina, como o gosto pelo forró

Matéria publicada na edição 184 (Agosto/2007) de Terra


Valdemir Cunha

Apesar de estar situado na região Norte do país, festas nordestinas fazem parte do cotidiano dos habitantes de Roraima


Tamanho de texto pequeno medio grande

1 - Metade da população de Roraima não nasceu no estado. É gente vinda de vários lugares do Brasil, mas, essencialmente, do Nordeste. De acordo com o Censo de 2000, do IBGE, a partir dos anos 1990 Roraima se tornou um pólo de atração, com um dos maiores percentuais nacionais de moradores vindos de outros lugares. Do forró à paçoca (mistura de carne-de-sol com farinha de mandioca socada no pilão), do sotaque à festa de São João, a presença nordestina é facilmente notada.

2 - Foram vários os momentos nos quais a vinda de migrantes nordestinos se intensificou, sobretudo do Maranhão e Ceará. A primeira leva chegou em função do ciclo da borracha em Manaus, na segunda metade do século 19. Uma grande seca no Nordeste por volta de 1890 faria mais gente debandar do sertão com destino a Roraima. Outros viriam ainda entre os anos 1930 e 1980, ora contaminados pela febre do garimpo, ora incentivados pelo governo federal para trabalhar a terra.

3 - Por falta de suporte aos pequenos produtores, a agricultura não vingou. Por isso, os imigrantes nordestinos deixaram o interior para se acomodar nos arredores de Boa Vista. Foram eles os pioneiros em celebrar o arraial de São João em Roraima. Em 2001, a festa ganhou apoio da prefeitura e se fortaleceu. Hoje, o embate entre as 16 quadrilhas da cidade reúne milhares de pessoas, numa profusão de cores, embaladas, no entanto, por um único gênero musical: o forró.

Veja mais em RORAIMA

  1. NAS TERRAS DE MAKUNAIMA

  2. O BRASIL DOS ÍNDIOS

  3. MONTE RORAIMA

  4. UMA TERRA MARCADA PELO GARIMPO

  5. TERRA DE SOBRA, POUCA GENTE E MUITA BRIGA

  6. SOLDADOS ÍNDIOS: OS GUARDIÃES DE NOSSAS FRONTEIRAS