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Terra > Agosto/2007 > Roraima

Terra de sobra, pouca gente e muita briga

Longos trechos de cerrado, buritis em pleno Planalto das Guianas e selva brava a perder de vista: a Amazônia aqui tem facetas inesperadas

Matéria publicada na edição 184 (Agosto/2007) de Terra


Eli Sumida

Com uma área equivalente à do estado de São Paulo, Roraima tem a menor população do Brasil. Ainda assim, enfrenta problemas pela posse da terra. São apenas 15 municípios, enquanto o número de terras indígenas chega a 32 - entre as quais, destacam-se as áreas Ianomâmi, Raposa/Serra do Sol e São Marcos. Há, ainda, áreas de proteção ambiental, entre elas três parques nacionais: do Monte Roraima, de Viruá e da Serra da Mocidade.

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1 TERRA INDÍGENA RAPOSA / SERRA DO SOL
Tem 17 mil quilômetros quadrados (dez vezes a cidade de São Paulo) e abriga 18 mil índios em 160 comunidades de cinco etnias: macuxi, uapixana, ingaricó, taurepang e patamona. A área foi demarcada em 1998, mas sua homologação só ocorreu em 2005. Na ocasião, o governador de Roraima, Ottomar Pinto (PTB), declarou luto oficial de sete dias, num ato de apoio à causa dos produtores de arroz inseridos na área.

2 TERRA INDÍGENA IANOMÂMI
Tem mais da metade de seus 96.650 quilômetros quadrados (quase o estado de Pernambuco) dentro do território roraimense - o restante se encontra no estado do Amazonas. De acordo com a Funai, cerca de 13 mil índios habitam a área, homologada em 1992 após a retirada de milhares de garimpeiros pelo governo federal. Mesmo hoje, há conhecimento de garimpos ilegais em atividade, favorecidos pela densa configuração da floresta local.

3 BOA VISTA
Com 250 mil habitantes (quase dois terços do estado), Boa Vista é uma cidade planejada, à margem direita do Rio Branco. Em termos demográficos, é a segunda menor capital do Brasil, atrás apenas de Palmas, no Tocantins. No entanto, é a única capital situada no Hemisfério Norte. Inspiradas em Paris, as ruas da cidade são largas e convergem para o Centro Cívico, onde estão as sedes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Até o começo dos anos 1990, as vias da capital eram de chão batido.

4 COMUNICAÇÃO
Em Roraima é mais fácil ir para a Venezuela do que viajar pelo Brasil. Saindo de Boa Vista pela esburacada BR-174, chega-se a Manaus, no Amazonas, após percorrer 824 quilômetros. Pela mesma estrada, no sentido contrário, a cerca de 200 quilômetros da capital roraimense, está Pacaraima, a cidade brasileira mais próxima da divisa com o país vizinho. A ocupação do estado está atrelada à construção da BR-174 e da BR-210, ao longo das quais foram instaladas colônias agrícolas.

5 PRODUÇÃO AGRÍCOLA
A produção de arroz na Raposa/ Serra do Sol ocupa 160 quilômetros quadrados e responde por 10 por cento do PIB do estado. O Projeto Vale do Rio Branco oferece apoio a produtores de uva, limão e manga nos arredores de Boa Vista. Em quatro anos já foram criados 300 empregos e plantados 200 hectares. Entre as uvas, a produtividade é de 20 toneladas para cada um dos 35 hectares de plantação (quase a mesma média do Vale do São Francisco, no Nordeste, um dos maiores pólos produtores do país).

6 RIQUEZAS MINERAIS
As maiores jazidas estão dentro das terras indígenas. Por isso mesmo, torna-se difícil a exploração. Na Terra Ianomâmi há grande quantidade de cassiterita (a matéria-prima do estanho) e ouro, além de outras pedras preciosas. Na Raposa/Serra do Sol prolifera o diamante, mas há ouro também. Na região dos índios uaiuais, existe tantalita/columbita em abundância, mineral com grande valor de mercado. Há ainda indícios de petróleo nos arredores da cidade de Bonfim, na divisa com a Guiana.

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LEGENDA:

Minérios
Pelotão de fronteira
Arroz
Uva
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